Contexto · Proposta · Memória

Processos

Transformação visual e sentimental do espaço público de corpos que performam, habitam e virtualizam o território.

Acessíveis por QR Code.

Vista aérea do Cais José Estelita, Recife

No mundo, os monumentos (estátuas, templos, memoriais, obeliscos e outras formas simbólicas grandiosas) são ainda poderosos meios de comunicar valores culturais. Independente da época em que foram construídos, os monumentos continuam sendo elementos centrais da iconografia política do território e têm um papel fundamental na criação e permanência de determinadas paisagens urbanas.

Partindo desta compreensão, criamos um mapa com ações geolocalizadas em resposta ao processo de apropriação dos territórios de convivência pública (política, simbólica e cultural) nas cidades. É esse corpo dentro dos territórios urbanos que fica virtualmente imortalizado como monumento nas ações performáticas de reflexão da sua própria realidade e sociedade.

Hoje são 22 monumentos, 42 artistas e 6 pontos de acesso instalados no espaço público.


Corpo Monumento

Os Monumentos Virtuais formam um conjunto de representações das memórias do corpo na urbanidade, do qual a série audiovisual Corpo Monumento faz parte. É um estudo da representação histórica dos lugares, suas precarizações e potencialidades e a relação do corpo performático com as memórias desse território e do corpo nesse território.

Passamos a dialogar a transterritorialidade dos espaços públicos urbanos com os espaços do corpo e a afirmação desses corpos nos territórios urbanos, como espaços de inquietação, conflitos e apaziguamento. A ação desse corpo monumentaliza suas representações, na qual outros referenciais de identificação surgem.

Sugerimos uma continuidade à obra aberta, como um filme colaborativo sobre a afirmação desses corpos inquietos, em representação de sua individualidade e ressignificação em monumento. Corpo Monumento é uma série de produções performáticas audiovisuais coletivas sobre nossos valores de representação, nossas memórias e culturas.

Como funciona

Cada artista poderá criar seu próprio monumento a partir de suas percepções, reflexões e narrativas. Ao adicionar no mapa seu perfil e seu monumento, esse artista recebe um Sticker Virtual com o QR Code para impressão e instalação, que pode ser a colagem de lambe-lambe nas ruas.

Cada ação performática transformada em monumento poderá ser acessada pelo celular, tablet, ou simplesmente através do mapa nessa plataforma web. As produções estarão dentro do mapa de monumentos com um banco de dados de cada artista produtor incluindo releases, fotos, históricos e produções. A plataforma web é aberta a cada artista que queira expressar sua narrativa.

Sticker · Lambe-lambe · QR Code

O sticker com QR Code é o elo entre o espaço físico e o monumento virtual. Colado na rua, em uma fachada ou num espaço cultural, ele transforma qualquer parede numa porta de entrada para a ação performática vinculada àquele ponto.

Ao escanear o QR Code com o celular, qualquer pessoa acessa o vídeo do monumento diretamente no mapa — sem precisar baixar nenhum aplicativo. O território físico e o arquivo audiovisual se encontram no mesmo gesto.


Histórico

Em 2014, produzimos o primeiro Monumento Virtual com objetivo de promover ações reflexivas no lugar de ocupação e resistência dentro do Cais José Estelita contra o projeto Novo Recife. Propusemos (re)pensar o espaço público como lugar de criação, provocando experiências artísticas inspiradas na resistência e na luta.

Nossa resposta compreendia a discussão sobre falta de moradia digna; ausência de melhorias na qualidade de vida da comunidade da antiga Ilha de Antônio Vaz; impacto ambiental nos bairros do Cabanga até São José; gentrificação desses bairros; destruição do patrimônio público e histórico nas cidades. Esse acontecimento era apenas um reflexo dos centros urbanos para os demais bairros periféricos.

Uma iniciativa de formas de resistência aliadas à proposta de expressão para cada artista da cidade do Recife ou de outras cidades, de outros territórios que se encontram (hoje ainda) massacrados pelas hostilidades geradas da apropriação capitalista. As performances produzidas pelos grupos e artistas convidadxs refletem esse momento histórico e estético.

O primeiro monumento foi produzido com essa carga contrária ao processo de especulação imobiliária que previa o desabamento da riqueza patrimonial e histórica a partir do discurso de progresso. Decidimos então dividir nossas angústias com outros artistas e coletivos artísticos e juntos elaboramos a ideia de monumentos a partir dos nossos corpos — ou seja, os nossos corpos monumentos que contam histórias e dialogam com tecnologias móveis. Chegamos à série Corpo Monumento com dez vídeos que dialogam sobre monumento, corpo e memória, mantendo a proposta de investigar os processos de transformação visual e sentimental do espaço público.

Em 2023, Pérola Pessoa realizou Roberta da Silva, homenagem à travesti queimada viva no Cais de Santa Rita, Recife — ampliando o escopo político e afetivo do projeto.


Equipe Monumentos Virtuais

V0.1 Codex MV — Alexandre Salomão e colaboração de Philipe de Castro

V2 MV

Direção — Alexandre Salomão
Argumento transmídia e corpo monumento — Alexandre Salomão
Concepção — Alexandre Salomão, Lara Bione, Luiz Manuel, Philipe De Castro e Zé Diniz
Programador e designer web — Alexandre Salomão e Zé Diniz
Designer — Aurora Jamelo
Implementação de novos projetos — Alexandre Salomão, Gabriel Godoy e Lara Bione

Equipe da primeira série — Corpo Monumento

Direção, produção executiva, montagem e coordenação de pós-produção — Alexandre Salomão
Direção de produção e produção executiva — Luiz Manuel
Direção de fotografia — Ana Olívia Godoy, Breno César e Zé Diniz
Direção de som — Lara Bione
Edição de imagens — Felipe Ferraz e Rick Almeida
Produção e roteiro — Paulo de Andrade
Fotografia still — Yuska Ferreira
Pesquisa histórica e revisão dos textos — Mateus Simon
Correção de cor, color grading e finalização — Zé Diniz

Coprodução Iyá Filmes, com apoio do Fundo de Cultura do Estado de Pernambuco.


Equipe Corpo Monumento — Série Transmídia 2025–26

Direção — Alexandre Salomão
Produção — Lara Bione e Luiz Manuel
Curadoria — Elis Costa
Coordenação de curso EaD — Elis Costa e Luiz Manuel
Design — Aurora Jamelo
Assessoria de comunicação e imprensa — Andréa Almeida (ALCATEIA Comunicação e Cultura)
Contabilidade — Vicente Lavandeira
Consultoria de acessibilidade — Bruna Lopes
Intérprete de Libras — Joana Rosas

Área educacional — Ensino a distância

Três oficinas gratuitas, ministradas por quem faz o projeto:

Design Total — com Aurora Jamelo
Planejamento e Gestão de Mídias — com Andréa Pessoa
Criação de Plataformas Web — com Alexandre Salomão


Participe

A série audiovisual Corpo Monumento é um filme aberto, onde cada artista envia sua narrativa audiovisual, que é colocada num mapa e acessada nesta plataforma. Em cada ponto do mapa é possível visualizar a proposta performática com a descrição e um link para o release dx artistx ou grupo artístico.

Convidamos você para enviar sua ação performática e ter um espaço dentro dessa rede de resistência artística, aberta e colaborativa. Qualquer artista pode criar a partir do seu próprio material ou do material aqui disponibilizado sob os direitos de distribuição CC BY-SA.

Somos uma equipe pequena: a resposta pode demorar, mas ela vem.

Realização

Funcultura, Fundarpe, Secretaria de Cultura e Governo de Pernambuco